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terça-feira, 12 de novembro de 2013

O Bode Expiatório



Francisco Barroso

Está tudo do avesso. O mundo está ao contrário e, mesmo sem conhecermos as causas profundas, todos temos essa intuição, essa perceção. A evolução moral, como a pessoal, é lenta e tem por vezes recuos significativos. Em termos coletivos estamos num desses períodos seguramente.
É de todos conhecido o facto de nas sociedades primitivas o valor ou a importância residir no coletivo. Era o grupo que era importante, não o indivíduo, a sobrevivência da tribo ou grupo dependia disso. A pessoa, nesses tempos, não tinha qualquer valor além do grupo ou da comunidade em que estava inserida. Aliás, quando as coisas corriam mal, o grupo para apaziguar a ira das divindades, que naqueles tempos eram tão cruéis quanto os homens, pois que criados à sua imagem e semelhança, não tinham qualquer pudor em sacrificar-lhe um dos seus.
Se recuarem à mitologia grega, que é já uma coisa recente, lembrarão que Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses, tudo aquilo que entre os homens é repreensível e sem decoro: roubo, adultério e enganos recíprocos. E porventura em território mais conhecido (a Bíblia) lembrarão que no tempo da Páscoa os judeus se dirigiam a Jerusalém para no Templo oferecer sacrifícios a Iavé. Uma das cerimónias consistia em largar no deserto um bode para o qual o Sumo-Sacerdote migrara os pecados do povo com a função de ali os expiar: o bode expiatório.
É fácil de ver que os tempos não têm sido fáceis, mas tem havido evolução, e como ensina o filósofo José António Marina: o uso racional da inteligência, que se materializa na procura de evidências partilhadas, intersubjetivas, que se empenha numa corroboração incessante daquilo que pensa, mediante a critica, o debate, a prova, melhorou a nossa convivência, libertando-nos da tirania da força e instaurando a orbe da dignidade humana.
O surgimento da ética como possibilidade que a inteligência tem de quebrar a lógica do mundo, que é a lei da selva, o reforço do direito com a consagração dos direitos de personalidade, do principio da igualdade, que permitiu o surgimento dos regimes democráticos, que assentam no princípio da responsabilidade pessoal e nos levaram a um patamar civilizacional que pensámos indestrutível…todavia e de repente: ai, ai, ai, que isto assim não pode ser…parece que está tudo a ruir!!!
O que nos está a acontecer é um terramoto moral. O capitalismo, com os seus fetiches hedonistas, levou-nos a níveis de consumismo e individualismo insustentáveis, com dinheiro fácil, muito dinheiro, para termos tudo do bom e do melhor. Pensávamos que só assim merecíamos a aceitação do outro. Sacrificámos tantas coisas para ter mais dinheiro. Um emprego não chegava, arranjavam-se dois. Era preciso trocar de carro, uma casa maior, uma outra casa de férias… acabámos por nos vender por um prato de lentilhas, tal como Esaú vendeu a sua primogenitura e, no entanto, vivemos hoje tempos de amargura.
E os políticos que no plano simbólico e institucional representam o bonus pater família coletivo, que
deviam garantir a justiça, a equidade e o equilíbrio entraram eles próprios em desvario total. Para manter o poder ou para o alcançar tudo se tornou válido. Sustentam a ação num discurso totalmente esquizofrénico, um discurso de feirantes, a vender ilusões quando na oposição e mal alcançam o poder, um discurso inverso, que sustentam com a alta responsabilidade de estadistas, permitindo-se subverter os mais elementares princípios da confiança e da boa fé.
Como é que um conjunto de cidadãos que se propõem governar um país o leva a uma situação de ruína, por dividas colossais que se vão acumulando ano após ano? Por ação, porque para ganhar eleições gastam rios de dinheiro em obras de fachada, muitas quase inúteis só para pagar favores às grandes empresas que os sustentam. Por omissão, por deixarem a banca em roda livre a criar uma riqueza virtual até onde ela própria achou possível.
Foi a alta finança que com a sua ganância infinita e os Estados com a sua inoperância que causaram este terramoto a que deram o pomposo nome de divida soberana, de que não há responsáveis. Os responsáveis não são os banqueiros que fraudulentamente nos enganaram a todos nem os órgãos do Estado que tinham o dever de os supervisionar e não o fizeram. Os responsáveis somos nós. Todos nós que temos que a pagar, filhos e netos…
Ora, é este o aspeto mais relevante do problema. É que apesar da Constituição, de imensas leis em vigor e de tribunais instalados, o meio encontrado como o mais adequado foi o da subversão do princípio de responsabilidade individual. Sendo de grande melindre incomodar os sábios políticos (que raramente têm dúvidas e nunca se enganam) e os poderosos, ataca-se quem poucos ou nenhuns meios tem de defesa, através da conversão (perversão) da responsabilidade individual em responsabilidade coletiva.
Como já se percebeu, o direito já de pouco nos vale. O país está atulhado de leis. Nunca houve tantas como agora e como é que nos sentimos? Como um bode expiatório, inelutavelmente condenados.
O que é que precisamos? De uma moral e de uma ética forte, em que seja natural o respeito pelo outro. Em que o outro seja olhado não como uma mera possibilidade de nosso enriquecimento material, mas antes como possibilidade do nosso crescimento pessoal e interior. Nós não viemos ao mundo ser ricos ou pobres, nós viemos ao mundo, antes de tudo para ser felizes…e esquecemo-lo tantas vezes.
O homem é um ser cheio de possibilidades, mas tão frágil, inseguro e tão perdido nas suas ambições. Afinal de nos servem a Constituição, os códigos, os contratos se não se houver respeito, se não houver palavra?
Numa situação de desamparo como esta deixo-vos com salmo 22 de David: Não te afastes de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude. Essa é que é essa…
 novembro 2013.

domingo, 16 de setembro de 2012

O POVO respondeu ou não respondeu?




O que sinto neste momento, é uma revolta transversal contra toda a classe política que gere os nossos destinos. A fórmula em que constantemente nos embrulham é simples: obrigam-nos a discutir o passado para dividir e fraccionar, evitando que se discuta o futuro e a forma de evitar os mesmos/seus erros! 

Não discuto a importância de olhar para o passado recente, é fundamental. Não o podemos fazer é, constantemente, à custa das medidas que evitam que estes cenários se repitam, independentemente de quem nos governa.

Passos Coelho foi muito corajoso, quando no início do seu mandato afirmou, que nunca ouviríamos da sua boca a desculpabilização com o passado. Vi aí um rasgo da mudança! Vi aí a diferença e a esperança. E, vi aí um enorme desafio para a reabilitação d’ "a PALAVRA, para que quando ela é proferida possamos acreditar nela!", como ele próprio o verbalizou. Uma monumental desilusão! Um vazio de sentido e de destinatário, porque hoje ninguém acredita que estava a falar para os portugueses que o elegeram.

Não creio que os nossos problemas se resolvam apenas porque apontamos os culpados ou só porque discutirmos quem foi o mais medíocre. Podemos faze-lo, mas não é por isso que o vamos prevenir no futuro.

Aquilo que me preocupa, nesta hora, é como é que podemos ajudar Portugal a moralizar a vida pública, criando um quadro eleitoral e legislativo que funcione, independentemente de quem nos governa. Estas medidas passam, quanto a mim, pela criação dos Círculos Uninominais, pela criminalização do enriquecimento ilícito e pela inversão do ónus da prova para crimes económicos e financeiros (colarinho branco).

A criação dos Círculos Uninominais – permite que cada cidadão vote no seu representante para o parlamento e obriga a que cada candidato elabore o seu programa e o apresente aos seus “vizinhos” se quiser que votem nele. Desta forma, cada candidato é sufragado pelas suas acções em prol das populações que representa e não em prol dos partidos e dos interesses que estes representam. É por isso que ele será premiado se for reeleito ou afastado porque não cumpriu aquilo a que se comprometeu no seu programa. A diferença é simples, as listas partidárias mantêm, ciclo após ciclo, os mesmos incompetentes nos mesmos lugares. Nada muda!

A criminalização do enriquecimento ilícito  - bom, “se eu vender cabritos e não tiver cabras, de algum lado vieram!”, como diz a sabedoria do povo. De onde? Daqui decorre a medida seguinte;

A inversão do ónus da prova para crimes económicos e financeiros (colarinho branco) – a sabedoria popular é suficiente para a entender, “quem não deve, não teme”. Então?... O visado tem que provar onde fui arranjar os "cabritos" depois da justiça o ter declarado arguido! Quando se fala deste assunto, levanta-se logo um "coro de virgens ofendidas" em defesa do direito à privacidade, preocupados com o problema do linchamento na praça pública. Se reparem, estes profetas do direito à privacidade, são os mesmos que, sistematicamente, violam o segredo de justiça, quando essa violação lhes aproveita. São os mesmos que aniquilam adversários através do linchamento na praça pública. Portanto, não esqueçam, "quem não deve, não teme" porque a sabedoria do povo é universal e a destes senhores é pessoal.


Como cidadão sentir-me-ia muito mais protegido, independentemente de quem nos governa, afastando os lobbies e os "malabaristas" do poder e da vida pública. A democracia ficaria muito mais transparente e, com toda a certeza, abríamos o caminho a uma nova geração de políticos (não falo da idade!).


O meu sonho é impossível?

domingo, 26 de agosto de 2012

a trombeta de um relvas - antónio borges


Só quem nunca assistiu a este circo é que acredita que não há coincidências!
Maquiavel existiu, nasceu no século XV e ainda povoa o século XXI. Os arquitectos maquiavélicos são figuras transversais a todos os actores do palco do poder, iluminado mediaticamente e manipulado por interesses financeiros obscuros, incompetentes e exigentes. 

Um génio? Um visionário? Um peão?
Obscuros? Porque alimentam incessantemente a mediocridade, promovendo a informação em detrimento do conhecimento, criando uma discussão sem fim, de falsos opostos, esmagada pelo passado, que não chega a discutir o presente e não propõe horizontes, adiando continuamente uma ideia clara para Portugal. Ciclo após ciclo!

Incompetentes? Porque os factos falam por si. Estamos perante uma elite falhada em toda a linha que se tornou poderosa à custa do empobrecimento das organizações que lideravam. Para não perdermos o foco, podemos recordar o caso da banca portuguesa, BPN e BCP. Enquanto os seus dirigentes criavam, de um dia para o outro, fortunas pessoais fabulosas, as instituições definhavam de dia para dia, alguns deles posicionaram-se, mesmo, acima das próprias instituições que tutelavam. Tudo isto é possível porque as clientelas políticas alimentam as elites (eternas) do regime, adquirirem e manipulam os media, que criam e que formam uma opinião pública amorfa, resignada e obediente. 
Exigentes, porque pedem para os outros aquilo a que não se obrigam a si próprios. Jardim Gonçalves, o católico, outorgou-se uma tensa vitalícia de 165.000,00€ por mês! António Borges, é um exemplo dessa exigência quando, do alto da sua autoridade, pede a redução do salário dos portuguese. (...) Sem comentários!
O homem de mão? A futura DG do novo canal?
Os interesses e as estratégias que se movem em torno da privatização da RTP, da TAP, dos Estaleiros de Viana (onde já ronda a FERROSTaaL, a dos submarinos - Paulo Portas & Abel Pinheiro, SA)  já não escapam ao olho nú do mais indiferente dos cidadãos. E, a teoria da cabala, para silenciar o grito de revolta, já não cola.
Prestemos atenção aos “anúncios”, ao turbilhão de desmentidos, de contra-informação, de entrevistas cirúrgicas e de cortinas de fumo artificiais que criam factos apenas para esconder a realidade. Nós, os cidadãos anónimos, já estamos fartos e não “papamos” mais “grupos”.
É chegado o momento de vos dizer que, para ser intelectualmente honesto, não basta dizê-lo, é preciso sê-lo!
E eu e tu o que é que temos que fazer?

domingo, 15 de julho de 2012

É Impossível ficar calado!


Depois de ver estas imagens, os sentimentos confundem-se e já não se expressam, sente-se apenas... porque chegamos ao limite da decência, da liberdade, dos direitos e dos deveres. A fronteira esfumou-se, num inferno economicista, numa ditadura de mercados sem sentido, que impõe aos cidadãos o custo dos seus desmandes, sustentada em regimes "democráticos", onde os partidos escolhem os representantes (dos lobbys) que o povo elege!
Triste figura a nossa, que sustentamos o cenário deste video, legitimado pela autoridade do Estado! Nas eleições, cavamos a nossa sepultura... a extrema ironia!



Quem são os representantes escolhidos pelos partidos? 


Carreiristas que nunca souberam o que é trabalho! Muito menos o significado da palavra produção! Criar riqueza, ter responsabilidade social. Tudo lhes cai do céu, endeusados e alienados da realidade, bebados de baboseiras que dizem uns aos outros.
Perigosa cidadã (Madrid, 14 Julho 21012)

Quantas pessoas que votam em partidos, em eleições livres (a suprema ironia do establishement), sabem em quem votam?

Quantos deputados, votam em consciência? Quantos votam por disciplina? ... e existe uma grande diferença!

Quem me explicou o seu programa eleitoral? (...sem ser através dos debates inócuos da TV, que não passam de ataques pessoais sem conteúdo político)

A quem me devo dirigir, se aquilo com que se comprometeram com os cidadãos não está a ser cumprido?

Às máquinas partidárias?... 

No momento do nosso voto acontece o nosso eclipse, enquanto cidadão com direitos efectivos... começam o deveres! Enquanto foi folclore (...já dá licenciaturas) era só direitos, terminado o último estalo do foguete, tratam-nos da saúde!... pobreza de espírito de quem vota num regime destes!

O personalismo é uma marca, é a tua é a minha! A partir dele se constroem as relações, as interacções sociais e a responsabilidade. Quando nos afogam num colectivismo disfarçado de disciplina, mascarado de democracia, onde muitos se dispõem a anular-se em nome de um combate sectário e de interesses instalados, não existe igualdade (diferente de igualitarismo), nem liberdade, nem liberalismo. A expressão individual, a marca única da responsabilidade, dilui-se na nuvem da indiferença esmagada pela toxicidade dos lobbys. Por isso em Portugal, o carácter em política não é um critério, nem é escrutinado. 


Exemplos?... 
Pilantras como: Isaltino, Dias Loureiro e o pai político, Abel Pinheiro, Duarte Lima, José Sócrates, Jorge Coelho e tantos outros... esqueci um que ninguém fala, miguel relvas - o guru da consciência!




quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dia Internacional do Trabalhador - Uma Ilusão?

Desde que me lembro das comemorações oficiais do Dia do Trabalhador, em Portugal, já lá vão 38 anos (não pertenci à resistência, mas admiro todos os que lutaram pela liberdade), este ano, a data reveste-se de um significado especial. Cada um, à sua maneira, deve deixar impresso, neste dia, a sua marca!

Nunca o 1º de Maio, neste 38 anos, decorreu no meio de tanto desemprego, precariedade, incerteza, ameaças à dignidade do trabalho e dos trabalhadores, no meio de tanta sonegação de direitos do trabalho, em nome de uma necessidade de recuperação que apenas olha por aqueles que mais contribuíram para situação em que a Europa e Portugal, em particular,  se encontram.

Em nome deste caos instalado, em que as medidas se contradizem e os responsáveis se desmentem a cada minuto, desnorteados pela ineficácia das suas medidas, cegos pela poeira que se levanta e lhes turva a vista a cada passo que dão no pantano seco, varrido por ventos de especulação, surgem novas bandeiras, como a da incerteza constante do emprego, o fim do emprego para a vida e outras bacoquices, que uns quantos pseudo-alinhados vão veiculando em nome da precariedade e da mobilidade  que enriquecem o currículo.

Personalizemos o pensamento por uns momentos, aliviemos o nosso pensamento de ruidos e pensemos nas ideias peregrinas do parágrafo anterior... É isto que desejas? Foi desta forma que se formaram grandes empresas, foi desta forma que se atingiu a estabilidade social, é desta forma que os países com desenvolvimento sustentado prosseguem os seus objectivos? Então o que se pretende com esta nova pseudo-mentalidade?.... que afinal não leva a nada, apenas alivia aparentemente, como a manta que não é suficiente para cobrir o corpo e que num movimento contínuo apenas o deixa mais exposto e desesperado.

Manifestação de Chicago 1 Maio de 1866
Nunca como hoje, é necessária a nossa intervenção, cada um como sabe ou pode, contribuido para por a nú a ineficácia do atoleiro onde nos meteram em nome de uma coesão europeia de que cada vez somos mais periféricos, porque cada vez mais endividados como país e cada vez mais desesperados como pessoas, acusadas de irresponsabilidade e entaipadas pelo espectro do desemprego, que nos é acenado a cada dia com mais vigor por gestores de conduta ética duvidosa, movidos por objectivos pouco claros e que procuram fundamentalmente benefícios pessoais a todo o custo e sem olhar a meios. Foi esta geração de gestores, que forjou resultados, que recebeu chorudos bonús e que empobreceu as organizações. Agora, com as empresas totalmente descapitalizadas, procuram o assalto final através de uma maior exploração do trabalho, da redução dos salários e dos direitos, colocando no lugar dos accionistas, que nos bons tempos dividiram os lucros, os trabalhadores, para cobrirem os prejuízos. É isto que nos espera se nada fizermos, se nos limitarmos a ser espectadores passivos de um teatro real, onde todos, activamente ou passivamente são actores.

Nunca como hoje, o 1º de Maio é a realidade que nos une e que fará de todos mais pessoas, resistindo ao papel de marioneta a que nos querem reduzir.

1º de Maio... Sim, não é uma ilusão!

É o primeiro dia, para muitos, de cerrar os punhos e de os levantar na cara dos oportunistas da crise, governantes e gestores vampiros, que esperaram pela "calada da noite, para sugar o sangue da manada".

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

VIVA A CRISE


Frei Fernando Ventura










Isso mesmo, assim…, sem pontuação, sem sublinhados e sem sinais, sem acordos, por mais ortográficos que sejam. 

VIVA A CRISE

Só assim mesmo, um imperativo. Um imperativo de consciência. 

VIVA A CRISE

Só assim mesmo, uma interrogação. Uma interrogação, de dignidade.

VIVA A CRISE

Assim sem mais, sem glosas nem variações do politicamente correcto.

VIVA A CRISE

Neste novo ano que agora se inicia. Neste 2012 com tudo por inventar. Neste 2012, ANO NACIONAL E INTERNACIONAL DA SOLIDARIEDADE.

VIVA A CRISE

Isso mesmo, ANO NACIONAL E INTERNACIONAL DA SOLIDARIEDADE, assim…, sem pontuação, sem sublinhados e sem sinais, sem acordos, por mais ortográficos que sejam.

VIVA A CRISE

Neste 2012, o ano de recriar a aritmética do tempo novo e do Novo Tempo. Tempo de DIVIDIR para MULTIRPLICAR e de ADICIONAR sem SUBTRAIR nada a ninguém.

Se assim for, 

VIVA A CRISE, vivamos a CRISE, neste imperativo de consciência, que mudará a história na medida em que as nossas consciências se mudarem, na medida em que formos capazes de entender que se não vivermos a vida, seremos vividos por ela e eu, não quero, não tenho tempo, tenho mais que fazer…

Há mais apressados por aí?

Então vamos a isso, vamos juntos, vamos todos, vamos pegar nisto, vamos pegar em nós e fazer a revolução. Pode ser?

Vamos mandar os senhores do tempo, os senhores da política do partidarismo bacoco, da economia que faz de nós carne para canhão, da finança que só sabe entender a linguagem da especulação criminosa, vamos mandá-los à mera… isso mesmo, à mera consideração das suas ideias.

Este tempo é o nosso de inventar a matemática da SOLIDARIEDADE. Este tempo é o nosso de dar a volta a isto. Não podemos parar os comboios, não podemos parar os aviões, não temos sucatas para negociar, nem robalos, nem alheiras, nem títulos de participação, nem sub-primes, nem primos nem primas… a que nos agarrar… mas temo-nos a nós, inteiros, vivos, com esta raiva que nos corre nas veias e que ninguém tem o direito de manipular ou de se “assenhorar”. 

Não temos nada, mas temo-nos a nós! Por isso, senhores, temam-nos a nós!

Somos mais que números a contar no final das vossas manifestações. 

Somos mais do que gente para mandar gritar na rua, mas depois de enrolarmos as bandeiras… não temos onde as meter… 

Somos mais do que pagadores das asneiras que nos fizeram e que nos fizeram fazer. 

Somos mais do que exercícios contabilísticos de ignomínia e discórdia. 

Somos MAIS, muito mais… somos muitos mais, por isso temam-nos a nós que nos temos a nós.

E não estamos de férias como os nossos parlamentares, de todos os partidos, que foram para casa mais cedo. Não estamos de férias, não temos férias nem subsídios, nem feriados, nem dinheiro, mas temo-nos a nós; por isso temam-nos a nós.

Nós, sem vós e sem voz daremos a volta a isto. A revolução está na rua! Em tantas iniciativas que um pouco por todo o lado estar a ver gente a dar a mão a gente para que cada vez mais gente seja gente e para que nunca ninguém perca a dignidade de ser pessoa.

Nós estamos aqui. Não estamos de férias. Estamos na luta, na exclamação e na interrogação. Na indignação pelo direito à dignidade.

VIVA A CRISE, VIVAMOS A CRISE
Bom Ano 2012

sábado, 26 de novembro de 2011

Escolhas de merda!...


Não é meu hábito ser tão directo, confesso que sou "redondo" de mais, na forma de dizer. Mas foi o título que me veio à cabeça e não lhe resisti. Ainda pensei, será que me saltou a tampa?... mas não, estava no sítio! Olhei à volta e... "tudo na mesma"!

Um país cheio de gastos, impossíveis de estagnar, independentemente dos permanentes garrotes. Deitado numa maca, no corredor de um hospital, cheio de médicos e paramédicos ao seu redor, cada um com seu choque terapeutico, à vez, para aplicar, em agonia, a um doente que devia estar numa cirurgia dirigida e organizada por chefe de equipa competente.

Mas não, continua no corredor do hospital, triado até à medula. Até já houve mudanças de turno. Mas foi só para dar continuidade à agonia, sustentando o enfermo preso à vida por mais garrotes, que vão sendo colocados à mercê das rupturas que vão surgindo e provocando novas hemorragias, não evitando as transfusões de sangue, que escasseia cada vez mais nos bancos nacionais de dadores, tendo que se recorrer a bancos de sangue de outros países.

É este o país moribundo que temos, que conhecemos faz umas dezenas de anos, entregue a equipas de médicos de merda, que não têm feito mais do que dar suporte avançado de vida ao enfermo, cobrando horas e mais horas extraordinárias e mais pareceres a colégios de especialistas, que mais não fazem que o troar de um coro sem maestro, tal é dissonância de vozes que o compõe.

Face a este estado, perguntaram à família do doente qual era a melhor equipa, qual preferiam? A família respondeu que gostaria de ouvir as partes que se propunham tratar o doente, para melhor decidirem. E não foi fácil tomar uma decisão, tal era o coro de soluções, de promessas, dum lado e do outro. Reunido o concelho familiar lá se decidiram por uma das equipas duma forma mais ou menos consensual, mas justa!

Mãos há obra, o doente, agora está bem entregue!

Nem saíram do corredor, foi mais do mesmo, garrote, atrás de garrote. Agora mais apertados, pois as hemorragias, não estagnam. A equipa que parecia dinâmica, fresca, radiante de esperança e realista, vira, ainda no corredor, para uma postura derrotista, medrosa, cobarde, dando o dito por não dito...

Reunida a família o diagnóstico foi consensual, se uma equipa não prestava, a outra não parece sair disso!

Duas equipas de merda... e agora?

sábado, 12 de novembro de 2011

Armando Vara - Confrontado por um Popular

Quanto à corrupção que lavra por esse país fora... já muito se falou. Chegou o momento de passar à acção e tratar estes senhores, que são julgados e que condenação após condenação, saem impolutos de todos os processos, sempre com a teoria da cabala política, DESTA MANEIRA!



Este senhor, se não fosse o Procurador Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, mandarem destruir os telefonemas que teve com o PM, não tinha salvação possível de uma condenação... assim trocou uns robalos por um pão de ló!

Se os tribunais, não conseguem sair dos processos para julgar os factos, que são públicos e conhecidos, podemos usar estes meios para desmascara estes senhores, para os enxovalhar, para que tenham vergonha de andar de cara levantada.

Grande momento de indignação este, os que se sentem revoltados revêem-se nesta posição e terão que divulgar este video, para que se repita mais vezes! Se todos tivermos esta coragem, no nosso país haverá menos corrupção, nós teremos que PAGAR MENOS IMPOSTOS e teremos um PORTUGAL MAIS JUSTO.

Isto é impossível! Uma treta, basta que queiramos! Os que dizem que é impossível são os que querem que isto continue na mesma, pois é disso que vivem, da lama e da trapaceirice!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Este é o tempo da Revolução dos não violentos!

Uma proposta do Frei Fernando Ventura, num discurso simples, claro, objectivo e directo. Vale a pena ouvir esta mensagem de paz e de solidariedade. As suas palavras são serenas, apesar de atingirem, em cheio, o alvo. Não têm rancor, mas são formuladas com propostas concretas e simples. Ninguém pode ficar indiferente, nem pode deixar de saber quem são os "Caim" e os "Abel" deste mundo!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Neva na minha Aldeia

(...a todos os que foram garotos na minha aldeia)
Foto do Xico Genro - O Retratista!

Leve, leve,
Fria,
Silenciosa,
Dança e cai,
Esvoaça caprichosa,
E cai.

De olhos no céu,
A rodopiar, a rodopiar...
Cortam a brisa gélida,
Com a boca a fumegar,
Floco a floco,
Os garotos,
Parecem mastigar.

Tontos,
Cabeças no ar,
Rodopiam, rodopiam,
Na loucura daquele flutuar.

Iguais a si próprios,
Indiferentes às diferenças,
Os garotos da minha aldeia,
Sabem brincar.
Com o que cai do céu,
Com uma "canoca" e um guiador,
Imitando bandos de bicicletas,
Que correm loucas,
Entre gente que ralha,
Por ruas, eiras,
Travessas e veredeas,
Com pressa de chegar,
A lado nenhum.
Só a brincar.

Leve, leve,
Cai, cai,
Silenciosa,
E derrete.

domingo, 30 de maio de 2010

SONETO

Em memória de Aurélio Cunha Bengala

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno sacrifício
De trinta contos só! por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

José Régio - 1969

quinta-feira, 18 de março de 2010

Declarações sobre a Justiça em Portugal!

Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, é uma figura odiada por muitos, amada por poucos. Independente do nosso lugar "na bancada", devemos "dar-lhe ouvido" para que a nossa posição seja mais sustentada.

Vale a pena ouvi-lo num tom "desinflamado", que não lhe é muito habitual!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

VIVA O 25 DE ABRIL!


Respondi ao desafio do Marco no http://www.cebola.net/, desta forma:


Muitos têm vergonha desta singela homenagem, que não passa de uma recordação tensa!... Porque não sabem como lidar com esta ideia. Uns porque a viveram, outros porque não a viveram. Uns por cá, outros (já) por lá.

Reconheço que não é fácil esta reflexão, sobretudo se nos barricarmos na ideia política do que representa o 25 de Abril para cada partido e, ainda mais, se nos identificarmos com algum desses partidos (o que me parece normal)!

Façam o exercício (os que puderem) de se representarem, hoje, com o 25 de Abril e sem o 25 de Abril!

Eu, sem complexos, nem barricadas, sinto-me mais livre e feliz, independentemente dos meus 13 anos à data. Independentemente da minha participação política, hoje, ser idêntica à que tinha antes do 25 de Abril, tenho consciência da minha liberdade, para assim poder ser, e se a situação actual alterar, para poder ter outra atitude, mais participativa ou militante.

A tudo isto chamo consciência cívica (que pode ser mais activa ou passiva), podendo manifestá-la, como o faço agora! E, isso, devo-o ao 25 de Abril!

Com a maturidade política do nosso povo, desejo, cada vez mais, que exijamos dos nossos políticos a "representatividade" pela qual foram eleitos e não a representação individual dos seus interesses. Um político, depois de eleito, aceita um mandato que lhe foi conferido pelo voto. Deixa de se representar a si próprio! Quem se quer representar a si próprio ou aos seus interesses, não pode ser político!

Quantos políticos activos conhecem que façam isto?

Viva o 25 de Abril! Não só pela Revolução que foi mas, sobretudo, pela Revolução que ainda tem que acontecer!